Metodologia
Como funciona o modelo por trás do Brasil Política, de onde vêm os dados, quais são as bases teóricas, as escolhas de desenho e onde estão os limites.
A — O que é e por quê
1. O que é o Brasil Política
O Brasil Política é uma ferramenta de comparação política entre o eleitor e parlamentares em exercício. O eleitor responde a um quiz sobre temas do debate público; a plataforma estima um vetor de posições em quatro dimensões e compara com o vetor estimado de cada parlamentar a partir de seus votos reais.
O resultado é um match eleitoral: uma estimativa de afinidade, não um diagnóstico ideológico. A ferramenta não pretende determinar identidade política, nem atribuir valor moral a posições. O objetivo é tornar mais inteligível a ponte entre preferências declaradas pelo eleitor e comportamento legislativo registrado em plenário.
Metodologia auditável. Cada peso, cada critério e cada cálculo estão descritos nesta página. O algoritmo e o dataset de votações curadas serão publicados em repositório aberto pra replicação independente. A plataforma em si (frontend, infraestrutura) permanece privada, mas o que importa pra credibilidade do match fica acessível pra qualquer pessoa verificar.
2. Por que não basta “esquerda vs. direita”
Uma única dimensão entre esquerda e direita é útil como resumo, mas insuficiente para descrever o comportamento parlamentar brasileiro. Combinações não triviais de posições são frequentes: eleitores que defendem intervenção econômica e são conservadores em costumes; liberais de mercado que apoiam direitos civis; ambientalistas com inclinação punitivista em segurança pública.
A isso se somam fenômenos característicos do Congresso brasileiro que não se reduzem ao eixo esquerda-direita: a Bancada do Agro, com gravitação setorial estável; e o Centrão, cujo comportamento é melhor explicado por apoio a quem está no poder do que por posição ideológica.
Por isso, o Brasil Política modela o eleitor e os parlamentares em quatro eixos + uma variável oculta, inspirados na literatura de clivagens políticas e em modelos espaciais de comportamento legislativo, adaptados ao contexto brasileiro.
B — Base teórica e dados
3. Base teórica
Teoria das Clivagens (Lipset & Rokkan, 1967)
Lipset e Rokkan demonstraram que sistemas partidários se organizam em torno de fraturas sociais históricas — não de teorias abstratas. Identificaram clivagens fundamentais como centro-periferia, Igreja-Estado, rural-urbano e capital-trabalho. Os quatro eixos deste modelo adaptam essa abordagem ao contexto brasileiro contemporâneo.
Modelos espaciais e W-NOMINATE (Downs, 1957; Poole & Rosenthal, 1985)
Downs (1957) formulou o modelo espacial clássico: eleitores e candidatos são pontos num espaço de políticas públicas, e a preferência eleitoral cresce com a proximidade. Poole e Rosenthal estenderam a ideia ao Legislativo: em vez de rotular votações a priori, o W-NOMINATE extrai dimensões latentes da estrutura de quem vota com quem.
Pesquisadores brasileiros como Cesar Zucco Jr. (FGV) e Timothy Power (Oxford) aplicaram esse arcabouço ao Congresso brasileiro. Identificaram que uma dimensão central na Câmara vai além do eixo esquerda-direita: Governo vs. Oposição. Partidos do Centrão movem-se em bloco conforme muda o ocupante do Planalto, comportamento melhor explicado por acesso a emendas e cargos do que por ideologia (Zucco, 2009; Zucco & Power, 2024).
Teoria direcional e o limite da proximidade (Rabinowitz & Macdonald, 1989; Louwerse & Otjes, 2012)
Modelos puramente baseados em proximidade euclidiana têm um viés conhecido: recomendam candidatos radicais a eleitores apenas moderadamente alinhados, desde que estejam na mesma direção do espaço. Rabinowitz e Macdonald (1989) propuseram a teoria direcional e a noção de região de aceitabilidade: o eleitor aceita candidatos cuja direção coincide com a sua, mas rejeita aqueles cuja intensidade ultrapassa o que considera razoável.
Louwerse e Otjes (2012), analisando ferramentas europeias equivalentes, documentaram empiricamente esse desalinhamento. O Brasil Política incorpora essa crítica no match com candidatos presidenciais radicais: a proximidade geométrica deixa de ser suficiente — o eleitor precisa confirmar explicitamente a disposição de ir tão longe (seção 11).
4. Os quatro eixos
Para comparar eleitores e parlamentares, organizamos o espaço político em quatro dimensões. Cada eixo é uma escala contínua normalizada ao intervalo [-1, +1]. Um perfil — de eleitor ou de parlamentar — é um ponto no hipercubo [-1, 1]⁴.
Economia
Estado vs. MercadoPapel do Estado, impostos, gasto público, proteção social, regulação, privatizações e mercado.
Polo A: mais intervenção, redistribuição e proteção social. Polo B: mais mercado, ajuste fiscal e menor intervenção.
Direitos e valores sociais
Emancipação vs. TradiçãoLiberdades individuais, igualdade, direitos civis, laicidade, direitos reprodutivos, direitos LGBTQIA+, costumes e valores.
Polo A: ampliação de direitos e autonomias individuais. Polo B: conservador em costumes, valores tradicionais.
Território, desenvolvimento e meio ambiente
Proteção vs. ProdutivismoUso da terra, agronegócio, preservação ambiental, mineração, infraestrutura, povos indígenas e conflitos territoriais.
Polo A: proteção ambiental, direitos territoriais e transição sustentável. Polo B: flexibilização regulatória, expansão produtiva.
Ordem, segurança e justiça
Garantismo vs. PunitivismoSegurança pública, armas, endurecimento penal, polícia, encarceramento, garantias legais e justiça criminal.
Polo A: garantismo, prevenção e limites ao poder punitivo. Polo B: endurecimento penal, mais autoridade e punição.
Quatro eixos são uma simplificação deliberada. A política brasileira tem outras dimensões relevantes (religiosa, racial/identitária, regional, clientelista) que não se reduzem a esses quatro. Optamos por esse recorte porque ele captura as tensões mais frequentes nas votações nominais da Câmara, não porque esgota a realidade empírica.
5. A variável oculta: governismo
O governismo mede o quanto um parlamentar vota alinhado com a orientação do líder do governo, independente de qual governo esteja no poder. Um deputado que vota SIM com um governo de esquerda e, posteriormente, também SIM com um governo de direita tem parte de sua “carga ideológica” nos eixos reduzida, com aumento correspondente no índice de governismo.
Essa separação busca operacionalizar um padrão documentado por Zucco (2009) e Zucco & Power (2024): partidos que apoiam qualquer governo em troca de emendas e cargos. Zucco & Lauderdale (2011) mostraram que, sem separar governismo de ideologia, modelos baseados em votação confundem sistematicamente as duas coisas. No quiz, o eleitor não responde sobre governismo — a variável é calculada apenas do lado parlamentar.
O governismo aparece no perfil do parlamentar como percentual, ao lado da disciplina partidária (alinhamento com a orientação do próprio partido). Ambos são indicadores estruturais: não integram o match, mas contextualizam o comportamento. O governismo não é estático — muda com a composição de poder. As coordenadas refletem a legislatura atual.
6. De onde vêm os dados
Todos os dados são públicos. A fonte primária para a Câmara dos Deputados é a API de Dados Abertos da Câmara, cobrindo desde fevereiro de 2023 (início da 57ª legislatura). Para o Senado, usamos a API de Dados Abertos do Senado Federal. Os dados incluem:
- Todas as votações nominais da legislatura
- Parlamentares em exercício com nome, partido, UF e foto
- Votos individuais (Sim / Não / Abstenção / Obstrução / Ausência / Art. 17)
- Orientações de líderes (governo, partidos, blocos)
- Presença em votações, proposições apresentadas e gastos de cota parlamentar
Votações nominais são apenas uma fração do trabalho legislativo. Parte considerável das proposições é aprovada por votação simbólica ou em caráter terminativo nas comissões. A votação nominal é a janela mais transparente do comportamento parlamentar, mas não exaure o trabalho do mandato.
Sobre o número de parlamentares. A Câmara tem 513 cadeiras e o Senado tem 81. Junto com os cerca de 1.059 deputados estaduais, são 1.653 parlamentares em exercício no país. Mas durante uma legislatura há rotação: alguns viram ministros, outros renunciam ou são cassados, e os suplentes assumem. Nossa base inclui também esses ex-titulares e suplentes que registraram voto, totalizando 1.899 entradas analisadas. O ranking que aparece pra você usa só quem está em exercício no momento, mas o histórico de votos compara com tudo que foi registrado na legislatura.
Voto sincero vs. voto estratégico
A literatura de ciência política distingue sincere voting (quando o parlamentar vota por convicção) de strategic voting (quando vota por disciplina partidária, coalizão ou oposição tática). Modelos como o DW-NOMINATE(Poole & Rosenthal) tratam essa dualidade assumindo um volume suficiente de votações para que os votos estratégicos virem ruído estatístico. No Brasil, a amostra é menor e cada voto estratégico tem peso relativo maior.
Um senador da oposição pode aparecer como “pró-Estado” por votar contra propostas do governo em exercício, ainda que não seja isso o que ele defenda em primeiro princípio. O voto captura comportamento institucional, não necessariamente preferência ideológica. Essa limitação é estrutural e atravessa todo o modelo.
Mitigação: priorizamos PLs com divisão intrapartidária (em que parlamentares do mesmo partido votaram em direções opostas) — esses são os mais informativos sobre posição individual. Votações unânimes por partido têm peso relativo menor na composição do vetor 4D. Mesmo assim, as coordenadas devem ser lidas como estimativa comportamental, não como diagnóstico doutrinário.
C — Curadoria, quiz e coordenadas
7. A curadoria dos temas e das votações
Nem toda votação serve ao propósito de discriminar posições políticas. Boa parte das deliberações em plenário é técnica, procedimental ou consensual. A curadoria começa pela filtragem estatística do que separa parlamentares de fato.
Para a Câmara, a base foi construída a partir de 37 PLs curados com votação nominal dividida. Para o Senado, são 28 PLs curados — 11 compartilhados com a Câmara e 17 exclusivos do Senado. Os critérios de seleção são:
- Relevância pública e clareza temática
- Cobertura equilibrada dos quatro eixos
- Capacidade de diferenciar posições políticas (divisão)
- Votação nominal registrada
- 57ª legislatura (2023 em diante)
Além da seleção editorial, cada PL passa por validação automatizada com critérios quantitativos:
- Discriminação mínima de 15% — a diferença entre o percentual de votos “Sim” do bloco de esquerda (PT, PSOL, PCdoB, PV, REDE, PSB, PDT) e o do bloco de direita (PL, NOVO, PP, REPUBLICANOS, UNIÃO) deve atingir pelo menos 15 pontos percentuais.
- Mínimo de 30 votos registrados por votação, para amostra representativa.
- Cobertura mínima por eixo — pelo menos 3 PLs com peso relevante (|peso| ≥ 0,5) em cada eixo, para que nenhum eixo dependa de poucas votações.
- Spread mínimo entre blocos — a distância euclidiana entre as coordenadas médias dos blocos deve ser significativa, garantindo separação ideológica no espaço resultante.
- Sem duplicatas — cada matéria aparece uma única vez.
Cada PL recebe um vetor de pesos nos quatro eixos, entre -2,0 e +2,0, onde o sinal indica a direção no eixo:
Economia
Direitos e valores
Meio ambiente
Segurança
Neutralidade editorial. Os PLs e seus pesos são selecionados por critério técnico: divisão no plenário, relevância pública e cobertura dos eixos. Não há filtro ideológico — entram projetos de qualquer autor, partido ou orientação política.
O pipeline de curadoria opera em cinco etapas: filtragem por índice de divisão, classificação temática, auditoria adversarial, seleção balanceada e validação de sanidade. Leia a metodologia completa de curadoria →
Atualização contínua. A base é atualizada regularmente com as novas votações que acontecem no Congresso e nas Assembleias Legislativas. Cada nova votação relevante passa pelo mesmo crivo de curadoria.
8. A estrutura do quiz em camadas
O quiz é construído em camadas crescentes de profundidade. A intenção é reduzir atrito cognitivo na entrada e permitir que o eleitor aprofunde somente onde tem interesse ou opinião formada. Cada camada usa o mesmo espaço vetorial 4D, de modo que as coordenadas permanecem comparáveis ao longo de todo o percurso.
Camada 1 — Quiz temático rápido
- ~12 perguntas temáticas intercaladas pelos 4 eixos.
- Cada pergunta carrega um vetor de pesos nos 4 eixos, espelhando o formato dos PLs.
- Baseado nas respostas, a plataforma estima um vetor 4D inicial do eleitor.
Perguntas de radicalidade (só em alguns perfis)
- Só aparecem quando a camada 1 indica posição econômica bastante marcada — para a maioria dos eleitores, essa etapa não existe.
- Para quem se posiciona fortemente pelo Estado, entra uma pergunta sobre estatizar todas as empresas; para quem se posiciona fortemente pelo mercado, entra uma sobre acabar com SUS, Bolsa Família e aposentadoria pública.
- As respostas não alteram as coordenadas. Funcionam apenas como declaração explícita de intensidade extrema, usada para liberar candidatos radicais no match presidencial (ver seção 11).
Camada 2 — Aprofundar por eixo
- Perguntas adicionais organizadas por eixo, acessadas após o resultado inicial.
- Ajustam as coordenadas em cada dimensão separadamente.
- Permitem aprofundar temas onde o eleitor tem opinião mais firme.
Camada 3 — Voto a voto em PLs reais
- 37 projetos de lei curados, com votação nominal registrada na Câmara.
- O eleitor responde “a favor” ou “contra” o próprio texto legislativo — sem simulação.
- Ativa a comparação direta com o voto de cada deputado (match híbrido).
As perguntas de radicalidade só alcançam quem, nas respostas anteriores, se posicionou de forma bastante acentuada no eixo econômico — cerca de um terço dos eleitores em simulações. Eleitores moderados não veem essas perguntas. O objetivo é simples: posições extremas não são inferidas indiretamente a partir de respostas moderadas; o eleitor precisa confirmá-las para que pesem no match com candidatos radicais à Presidência.
9. Como as coordenadas são calculadas
Coordenadas do parlamentar
Para cada parlamentar, o sistema soma os pesos dos PLs curados ponderados pelo voto registrado, com normalização pelo peso máximo possível em cada eixo. O resultado é um vetor em [-1, +1]⁴.
voto ∈ { +1, -1, 0 } · peso ∈ [-2, +2]
| Voto | Tratamento |
|---|---|
| Sim | Pesos do PL somados como estão |
| Não | Pesos do PL invertidos (× -1) |
| Obstrução | Tratado como Não (posição de oposição) |
| Abstenção | Tratado como Pular (sem contribuição) |
| Ausência | Tratado como Pular (sem contribuição) |
| Art. 17 | Tratado como Pular (ausência justificada) |
O voto nominal captura comportamento institucional, não necessariamente preferência. Um “Sim” pode refletir disciplina, acordo de coalizão ou cálculo estratégico — considere as coordenadas à luz dessa ressalva.
Coordenadas do eleitor
Cada pergunta temática carrega um vetor de pesos no mesmo formato dos PLs. A favor soma os pesos, Contra os inverte, e Pular não contribui. A normalização é idêntica à usada para os parlamentares, de modo que ambos habitem o mesmo espaço vetorial.
Em cada eixo, as perguntas são balanceadas nos dois sentidos: parte delas tem “A favor” puxando para um polo e parte para o polo oposto. Isso impede que a fraseologia das perguntas enviese o resultado sistematicamente em uma direção.
Toggle de importância
Qualquer pergunta pode ser marcada pelo eleitor como “importante pra mim”. O peso da pergunta é então multiplicado por 2× no cálculo das coordenadas, permitindo que temas de maior salience individual tenham mais tração sobre o vetor final.
As perguntas de radicalidade ficam fora deste cálculo. As duas perguntas de intensidade extrema — estatizar todas as empresas e acabar com SUS, Bolsa Família e aposentadoria pública — não entram no somatório das coordenadas. Se entrassem, seus pesos elevados distorceriam o vetor do eleitor a cada clique; e, no caso de alguém responder “a favor” às duas (uma contradição deliberada), os efeitos se anulariam e o extremista contraditório viraria centro matemático. Essas perguntas funcionam como declarações de intensidade: só influenciam o match presidencial, pelo mecanismo descrito na seção 11.
A ponte entre eleitor e parlamentar. Se o eleitor defende posições pró-mercado nas perguntas temáticas, sua coordenada econômica é positiva. Parlamentares que votaram a favor de privatizações e contra regulações extensas também apresentam coordenada positiva nesse eixo. A proximidade não depende de responder às mesmas perguntas, mas de ocupar regiões equivalentes do espaço. Essa ponte é uma hipótese metodológica razoável, não um fato comprovado empiricamente.
D — Match e calibração
10. Como o match é calculado
Camada dimensional: afinidade temática
O match dimensional é função inversa da distância euclidiana 4D entre os vetores. Quanto mais próximos no espaço, maior o percentual de afinidade.
d = √[(x₁−x₂)² + (y₁−y₂)² + (z₁−z₂)² + (w₁−w₂)²]
d_max = √(2² × 4) = 4
d_max é a diagonal do hipercubo [-1, 1]⁴ (vetores opostos nos quatro eixos).
Camada voto a voto: concordância em PLs reais
Ao optar por “Aprofundar”, o eleitor responde diretamente sobre os mesmos PLs que os parlamentares votaram. O sistema então mensura a fração de PLs em que eleitor e parlamentar concordaram (ambos “A favor” ou ambos “Contra”).
match_final = (1 − peso_vv) × dimensional + peso_vv × voto_a_voto
Com 0 PLs respondidos: 100% dimensional. Com os 42 respondidos: 60% dimensional + 40% voto a voto. O peso da camada voto a voto é propositalmente limitado — a amostra de PLs concretos é pequena e pode ser volátil a voto estratégico, enquanto o vetor temático é mais estável.
O percentual de afinidade indica proximidade no modelo, não concordância absoluta. Diferenças pequenas (por exemplo, 78% vs. 72%) podem ser artefato do método, não diferença real de posição. Leia o match como ordenação relativa, não como medida pontual.
11. Quando o match com candidatos radicais fica bloqueado
Nem todo candidato presidencial propõe a mesma coisa. Alguns defendem rupturas radicais — seja estatizando a economia, seja dissolvendo a rede de proteção social e o SUS. E aqui surge uma falha conhecida em modelos que medem apenas a distância entre vetores: eleitores moderadamente inclinados a uma direção tendem a aparecer, no topo do ranking, com candidatos radicais dessa mesma direção — só porque ambos apontam para o mesmo lado do espaço político. Essa é a crítica central da teoria direcional (Rabinowitz e Macdonald, 1989; Louwerse e Otjes, 2012): o match não pode depender apenas da direção — precisa incorporar também a intensidade que o eleitor está disposto a aceitar.
Como o bloqueio funciona
Cada candidato presidencial é classificado manualmente, a partir do programa que defende publicamente, em uma destas três categorias: moderado, radical na economia à esquerda ou radical na economia à direita. A classificação não usa um corte automático de intensidade: candidatos moderados podem ter vetores longos e candidatos radicais, vetores curtos, dependendo de como suas posições se distribuem entre os quatro eixos.
O eleitor libera o match com candidatos radicais ao responder “a favor” em uma das perguntas de radicalidade:
- “O governo deveria ser dono de todas as empresas?” Responder “a favor” libera candidatos radicais à esquerda na economia.
- “O governo deveria acabar com Bolsa Família, SUS e aposentadoria pública?” Responder “a favor” libera candidatos radicais à direita na economia.
Respostas “contra” ou “pular” não liberam nada. Marcar “a favor” nas duas simultaneamente libera ambos os lados — é uma contradição deliberada, e aí a geometria dos quatro eixos decide qual candidato radical tem maior afinidade com o eleitor.
A regra do match presidencial
- Candidato moderado: o match é o calculado pela distância no espaço 4D (como na seção 10), sem modificação.
- Candidato radical, lado correspondente liberado pelo eleitor: o match também segue a distância 4D, sinalizado como “liberado” no perfil.
- Candidato radical, lado não liberado: o match é limitado a, no máximo, 40% — por mais próximo que esteja o vetor do eleitor.
O teto de 40% não cria afinidade artificial para baixo: se o match geométrico já é menor que isso, o valor exibido é o próprio match geométrico. O propósito da regra é impedir que candidatos radicais apareçam no topo do ranking sem que o eleitor tenha confirmado a posição extrema correspondente.
Por que as perguntas de radicalidade ficam fora das coordenadas
Se essas duas perguntas entrassem no somatório que forma as coordenadas, o resultado seria duplamente ruim. Primeiro, seus pesos elevados — necessários para capturar a intensidade da posição declarada — distorceriam o eixo econômico a cada clique. Segundo, dois “a favor” simultâneos se anulariam (um puxando para -2 e outro para +2), fazendo um eleitor radical-contraditório virar centro matemático — exatamente o oposto do que o modelo deveria capturar.
A separação é conceitual: as coordenadas descrevem posição no espaço político; as respostas de radicalidade descrevem até onde o eleitor aceita ir nessa direção. São dois tipos diferentes de informação e merecem mecânicas diferentes.
Onde essa regra vale. Apenas no match com candidatos à Presidência. Deputados, senadores e governadores não passam por esse bloqueio — a amostra é muito maior, a geometria nos quatro eixos por si só tende a ordenar bem os resultados, e a literatura recomenda parcimônia no uso desse tipo de mecanismo.
12. Slider educativo: recalibração pós-quiz
Perguntas binárias (a favor / contra / pular) têm um custo conhecido: forçam o eleitor a escolher um dos três estados sobre afirmações que, na prática, admitem muitas gradações. Como no eixo econômico o “a favor” numa pergunta de radicalidade libera candidatos radicais (seção 11), o Brasil Política oferece um instrumento de recalibração contínua após o quiz.
Como funciona
Quando o eleitor responde “A favor” a uma pergunta de radicalidade, a página de resultados apresenta um slider correspondente com sete faixas históricas, de economia totalmente estatizada (URSS, Cuba) ao mercado sem Estado (Somália dos anos 1990), ou da proteção social universal (Cuba, países nórdicos) à ausência de rede de proteção (Brasil pré-1930). Cada faixa traz exemplo concreto e implicações observadas.
O eleitor move o slider para onde reconhece a própria posição. O valor contínuo (0 a 100) é mapeado para a coordenada econômica no intervalo [-1, +1] e sobrepõe o eixo econômico calculado pelo quiz. Ao mesmo tempo, a resposta à pergunta de radicalidade correspondente é reescrita em segundo plano, e a liberação (ou bloqueio) de candidatos radicais se atualiza na hora.
Função metodológica
O slider não é um mecanismo estatístico — é um instrumento pedagógico-declarativo. Ele serve a três propósitos:
- Reduzir o custo de cliques inadvertidos em perguntas binárias carregadas.
- Permitir que o eleitor reconsidere a intensidade da posição à luz de exemplos históricos.
- Tornar explícita a correspondência entre posição declarada e matches gerados — quem vê um match com radical, vê também por que ele foi desbloqueado e pode revisitar sua declaração.
O slider aparece apenas para eleitores que viram as perguntas de radicalidade (ou seja, posicionaram-se de forma bem acentuada no eixo econômico) e marcaram “a favor” em alguma delas. Para os demais, o slider é supérfluo: a camada 1 já posicionou o eixo econômico e não há nada de radical declarado para calibrar.
13. Indicadores complementares
Além do match, cada perfil parlamentar traz indicadores estruturais que ajudam a contextualizar o comportamento:
- Presença em votações — percentual de votações nominais com registro de voto
- Proposições apresentadas — projetos de lei, requerimentos e indicações
- Cota parlamentar (CEAP) — gasto total na Cota para Exercício da Atividade Parlamentar
- Governismo e disciplina partidária — alinhamento com a orientação do governo e do próprio partido
- Categorias temáticas — percentual de “Sim” por tema
Esses indicadores não integram o match — são descritores separados. Um parlamentar pode ter alta afinidade com o eleitor e, ao mesmo tempo, baixa presença em plenário ou alta disciplina partidária; esses dois tipos de informação coexistem no perfil sem se confundirem.
O Índice de Atividade Parlamentar combina sete atributos (impacto, relatoria, presença, proposições, órgãos, tribuna e disciplina) em um score de 0 a 100. Leia a metodologia completa do índice →
14. Arquétipos políticos
Além do match, a plataforma organiza perfis em arquétipos políticos — dez posições narrativas que traduzem uma região do espaço 4D em identidade reconhecível (“Ponte da Igualdade”, “Motor do Progresso”, “Pilar da Tradição”, “Sentinela da Nação”, “Bússola do Centro”, entre outros).
Classificação por distância euclidiana
Cada arquétipo tem um centróide pré-definido no espaço 4D, calibrado por desenho para representar a região narrativa correspondente. O arquétipo do eleitor é o de menor distância euclidiana até seu vetor.
Diferentemente de uma classificação puramente angular (como similaridade de cosseno), a distância euclidiana incorpora a magnitude do vetor, não apenas sua direção. Isso é essencial para este modelo: os centróides foram posicionados com magnitudes propositalmente distintas — a Sentinela da Nação em ~0,80 em todos os eixos (intensidade alta em direção conservadora), arquétipos especializados em ~0,30–0,55, e a Bússola do Centro em (0, 0, 0, 0). Quem responde de forma moderada é corretamente classificado no Centro; quem responde com intensidade em um polo específico é classificado no arquétipo especializado daquele polo.
Arquétipo secundário
Quando a diferença de distância entre o arquétipo mais próximo e o segundo mais próximo é inferior a 0,30, a plataforma exibe os dois. Isso reconhece que muitos eleitores habitam a fronteira entre duas narrativas políticas, e reduzir a identidade a um único rótulo seria empobrecedor.
Os arquétipos são uma camada narrativa de interpretação pública: ajudam o eleitor a reconhecer tendências do próprio perfil, mas não devem ser lidos como rótulos definitivos. Os nomes são descritivos e não carregam juízo de valor. Como a classificação depende do desenho dos centróides, ela é interpretativa — mudanças futuras nos centróides podem realocar perfis. O match (seção 10) é o componente quantitativo do sistema; os arquétipos são o componente qualitativo.
E — Cobertura multi-cargo
15. Panorama dos cargos cobertos
O Brasil Política estende o modelo 4D para além da Câmara dos Deputados. Cada cargo implica uma combinação distinta de fontes de dados e um tipo de inferência apropriado ao contexto. O eixo comum é sempre o hipercubo [-1, 1]⁴ — o que muda é a origem das coordenadas.
| Cargo | Fonte principal | Tipo de posição |
|---|---|---|
| Deputado federal | Voto nominal (Câmara) | Inferido |
| Senador | Voto nominal (Senado) | Inferido |
| Deputado estadual | Voto nominal na assembleia estadual ou centróide do partido | Inferido / híbrido |
| Governador | Camada histórica + pesquisa + declarada | Híbrido |
| Presidente | Leg. + executiva + pesquisa + declarada | Híbrido |
Onde há voto nominal, o modelo é inferencial: o comportamento registrado constrói o vetor. Onde não há — ou onde o candidato não ocupou cargo legislativo prévio — o modelo recorre a declarações públicas e autodeclarações, sempre sinalizadas ao leitor.
16. Cobertura do Senado Federal
Senadores são posicionados no mesmo espaço 4D dos deputados, com 28 PLs curados — 11 compartilhados com a Câmara e 17 exclusivos do Senado. O algoritmo é o mesmo: cálculo dimensional por distância euclidiana, match híbrido quando há respostas voto a voto disponíveis, governismo e disciplina como indicadores separados.
Tipos de proposição cobertos
As votações nominais usadas abrangem PL, PLP, PEC, MPV, PDL e PRS — todas com registro de voto individual (votação aberta). Indicações presidenciais (MSF) são votadas em escrutínio secreto no Senado e, por isso, ficam fora do cálculo das coordenadas.
Amostra menor, maior sensibilidade a voto estratégico. Com menos votações nominais do que a Câmara, cada voto estratégico tem mais peso relativo na composição do vetor. A curadoria prioriza PLs com divisão intrapartidária, mas a leitura das coordenadas dos senadores deve ser mais cautelosa do que a dos deputados, particularmente para parlamentares com histórico curto na 57ª legislatura.
17. Governadores: inferência em três camadas
Governadores não têm voto nominal em plenário — o cargo é executivo. Para posicioná-los no espaço 4D, o modelo combina três fontes de informação, adotando a de maior confiança disponível como referência principal e mantendo as demais visíveis no perfil, para comparação.
Camada histórica
Fonte: Votos nominais do cargo anterior do candidato (deputado federal, senador, governador)
Confiança: Alta
Disponível apenas quando o candidato já ocupou mandato legislativo
Camada pesquisa
Fonte: Declarações públicas recentes extraídas, classificadas e revisadas
Confiança: Média
Requer mínimo de fontes distintas e contemporâneas
Camada declarada
Fonte: Declaração explícita do próprio candidato no portal
Confiança: Alta (autoria) / a verificar (coerência)
Opcional — candidato pode não declarar
Coerência entre camadas
Quando duas camadas estão disponíveis para o mesmo candidato, a plataforma calcula a coerência — o mesmo match dimensional entre os vetores das duas camadas. Um candidato com alta coerência histórico-declarada é mais previsível; um candidato com baixa coerência sinaliza tensão entre o que fez e o que diz fazer, merecendo leitura atenta.
A camada pesquisa é construída a partir de declarações públicas recentes do candidato, identificadas e classificadas com apoio de modelos de linguagem, sempre com revisão humana de cada trecho utilizado. Cada declaração preserva fonte, URL e nível de confiança. A camada declarada é autoria do próprio candidato no portal.
18. Presidentes: inferência em quatro camadas
Candidatos à Presidência recebem a modelagem mais rica do sistema, por reunirem perfis heterogêneos (ex-parlamentares, ex-presidentes, candidatos sem mandato prévio) e por serem o único cargo onde o bloqueio de candidatos radicais (seção 11) se aplica.
Camada histórica legislativa
Fonte: Votos nominais como parlamentar em legislaturas anteriores
Confiança: Alta
Disponível para candidatos com passagem por Câmara ou Senado
Camada histórica executiva
Fonte: Medidas provisórias, vetos e decretos editados em mandato presidencial anterior
Confiança: Alta
Disponível para ex-presidentes
Camada pesquisa
Fonte: Declarações públicas recentes extraídas, classificadas e revisadas
Confiança: Média
Requer mínimo de fontes distintas e contemporâneas
Camada declarada
Fonte: Declaração explícita do próprio candidato no portal
Confiança: Alta (autoria) / a verificar (coerência)
Opcional
Camada histórica executiva
Para candidatos com mandato presidencial anterior, o modelo analisa os atos executivos editados durante o mandato: medidas provisórias, vetos presidenciais e decretos. Cada ato recebe um vetor de pesos nos quatro eixos, seguindo a mesma lógica dos PLs — o que foi efetivamente feito pela Presidência é tratado como dado comportamental do candidato.
Essa camada captura uma dimensão da posição política que o voto parlamentar não revela: a agenda exercida sob restrição real de governo. Presidentes que acumulam mandato legislativo prévio podem ter dois perfis distintos nessas camadas, e divergências entre elas são um sinal relevante de mudança programática.
19. Deputados estaduais: fontes de dados e centróide do partido
As assembleias legislativas variam muito no quanto publicam das próprias votações. Algumas mantêm portais abertos, padronizados e com todas as votações registradas; outras mantêm sistemas próprios — como os de São Paulo e do Rio de Janeiro — que exigem coleta específica de dados; e algumas votam em bloco ou por aclamação, sem registrar a posição individual de cada deputado.
Por isso, o modelo adota um critério por estado. Onde há votação nominal dividida em volume suficiente, o pipeline de curadoria completo é aplicado e cada deputado recebe coordenadas próprias. Onde não há, a coordenada do deputado estadual é preenchida pelo centróide do partido, calculado a partir dos parlamentares federais do mesmo partido — ou seja, a média das posições dos deputados e senadores federais desse partido. O perfil do deputado indica qual dos dois caminhos foi usado: coordenada calculada a partir do voto individual, ou coordenada herdada do centróide do partido.
O centróide é uma simplificação deliberada: assume que os deputados estaduais de um partido seguem, em média, o posicionamento dos federais do mesmo partido. É substituído por coordenadas individuais à medida que mais assembleias disponibilizam votos nominais. A metodologia de curadoria detalha os critérios de decisão por estado.
F — Transparência e limites
20. O que este resultado significa
O match deve ser lido como uma estimativa de afinidade política dentro da metodologia do Brasil Política. Indica quais parlamentares e candidatos mais se aproximam do eleitor, considerando os temas respondidos, a estrutura dos quatro eixos, os dados públicos utilizados e as regras de bloqueio e recalibração descritas acima.
Isso significa, explicitamente, que o match não é uma verdade absoluta, não esgota a visão política do eleitor, não substitui julgamento crítico e não pretende resumir a política brasileira em um número. Ele existe como ferramenta de orientação, leitura e descoberta.
21. Pontos fortes e limitações
Pontos fortes
- Modelo multidimensional (4 eixos) com base acadêmica
- Baseado em votações nominais reais do Congresso
- Governismo e disciplina como variáveis separadas
- Match híbrido dimensional + voto a voto
- Candidatos radicais à Presidência só entram no topo do match se o eleitor confirmar a posição extrema (seção 11)
- Slider educativo para calibração pós-quiz (seção 12)
- Toggle de importância 2× por pergunta
- Arquétipos por distância euclidiana com magnitude calibrada
- Multi-cargo com transparência sobre fonte e confiança
- Código aberto e dados públicos
- Nenhum dado pessoal coletado — quiz roda no navegador
Limitações
- O match é estimativa baseada em comportamento, não medida exata de alinhamento
- Voto nominal captura comportamento institucional, não necessariamente preferência ideológica
- Parlamentares com poucas votações nos PLs curados têm match menos preciso
- Amostra do Senado é sensível a voto estratégico
- Quatro eixos não esgotam a pluralidade da política brasileira
- Centróide federal como fallback em estaduais é simplificação
- A classificação de radicalidade dos candidatos é manual, sujeita a revisão a cada ciclo eleitoral
- Coerência entre camadas de candidato é indicador, não veredito
O modelo cobre o espectro de posições presentes no jogo democrático. Ideologias que rejeitam a democracia — como o fascismo ou o comunismo revolucionário — não têm representação consistente no Congresso, onde parlamentares operam, por definição, dentro do sistema. Essa é uma escolha de design: modelos espaciais de comportamento legislativo mapeiam comportamento dentro de regras institucionais, não disposição antidemocrática.
22. Honestidade intelectual
O Brasil Política leva a sério a importância da base teórica e dos dados públicos, e também leva a sério os limites do que propõe. Esta metodologia é uma construção própria da plataforma, inspirada em estudos e referências reconhecidas, operando sobre dados verificáveis — mas permanece uma inferência estruturada, não uma medição definitiva da política de ninguém.
O objetivo não é revestir a ferramenta com autoridade acadêmica artificial. É entregar um instrumento útil, sério, aberto e intelectualmente honesto. Críticas, correções e sugestões são bem-vindas.
23. Referências
- [1]Lipset, S. M. & Rokkan, S. (1967). Party Systems and Voter Alignments: Cross-National Perspectives. Free Press.
- [2]Downs, A. (1957). An Economic Theory of Democracy. Harper & Row.
- [3]Poole, K. T. & Rosenthal, H. (1985). A Spatial Model for Legislative Roll Call Analysis. American Journal of Political Science, 29(2), 357-384.
- [4]Rabinowitz, G. & Macdonald, S. E. (1989). A Directional Theory of Issue Voting. American Political Science Review, 83(1), 93-121.
- [5]Poole, K. T. & Rosenthal, H. (1997). Congress: A Political-Economic History of Roll Call Voting. Oxford University Press.
- [6]Power, T. J. & Zucco, C. Jr. (2009). Estimating Ideology of Brazilian Legislative Parties, 1990-2005. Latin American Research Review, 44(1), 218-246.
- [7]Zucco, C. Jr. (2009). Ideology or What? Legislative Behavior in Multiparty Presidential Settings. The Journal of Politics, 71(3), 1076-1092.
- [8]Zucco, C. Jr. & Lauderdale, B. (2011). Distinguishing Between Influences on Brazilian Legislative Behavior. Legislative Studies Quarterly, 36(3), 363-396.
- [9]Louwerse, T. & Otjes, S. (2012). Design and Political Use of Voting Advice Applications. Acta Politica, 47(3), 347-354.
- [10]Power, T. J. & Zucco, C. Jr. (2012). Elite Preferences in a Consolidating Democracy: The Brazilian Legislative Surveys, 1990-2009. Latin American Politics and Society, 54(4), 1-27.
- [11]Fossen, T. & van den Brink, B. (2015). Electoral Dioramas: On the Problem of Representation in Voting Advice Applications. Representation, 51(3), 341-358.
- [12]Zucco, C. Jr. & Power, T. J. (2024). The Ideology of Brazilian Parties and Presidents: Coalitional Presidentialism Under Stress. Latin American Politics and Society, 66(1), 178-188.
- [13]Voteview — projeto de visualização de votações do Congresso americano baseado no NOMINATE.
- [14]Dados Abertos da Câmara dos Deputados — API pública com votações, deputados e proposições.
- [15]Dados Abertos do Senado Federal — API pública com votações, senadores e matérias.
Modelo da política legislativa federal e estadual da 57ª legislatura, estendido a candidatos executivos quando há base de dados compatível. Não representa a totalidade da vida política brasileira — apenas o comportamento registrado em votações nominais, atos executivos publicados e declarações públicas auditadas desde fevereiro de 2023.
Esta página reflete a metodologia na versão atual da plataforma.